RELATOS - 28/09/2025

 Sempre imaginei que um pedido de ajuda significa-se revelações de fraquezas, uma forma de se tornar ainda mais veraneável. Muitas vezes optei em ficar sozinha no meu canto, e por falta de confiança, não permitir quem ninguém se aproxima-se. Sabe quando olhamos nos olhos das pessoas e vemos e lemos suas áureas por dentro, e essa descoberta gerasse um impacto ainda maior? Imaginei, e sentir que remar contra a maré todos os dias significasse um ato valoroso, ainda assim, o desgaste me levou ao ilhamento completo. 

Eu olho nos olhos e vejo a imensidão ou escuridão. Mistérios sempre me levaram para ribanceiras, mergulhos em lugares incertos. 

E ai, conheci uma pessoa que provou ser a exceção a regra. Soube desde o primeiro dia que o olhar era diferente de todos que já notei, e as ações se contemplavam na prática. Fiquei na defensiva, não soube lidar, por mim importar até demais.  Quero dizer, confiei desde o primeiro dia, um acontecimento tão raro na minha vida. Apesar da cautela, não ficava na defensiva e me sentia a vontade para conversa de forma limpa. 

Eu tentei escamotear minhas cicatrizes, porque não achei justo jogar tantos problemas para alguém que aparentemente carregavas fardos pesados também. Mas que no fundo, sua doçura me conquistou. Doçura  na vida prática e teórica.  E de forma tão maluca, sempre sabia quando ela não estava bem e ficava brava ou preocupada, talvez por aceitar meus problemas e não querer vê-la triste.

Apesar de sempre estar tentando entocar meus traumas, todos eles eram notados e ficava tão nervosa. Até o momento que fui vencida, e um milagre aconteceu. Fazer-me falar era o mesmo que ganha o bolão da sorte, mais apenas uma pessoa conseguiu esse feito. Talvez, porque desde o principio tivera me conquistado internamente,  a confiança que veio em uma troca de olhares sinceros. 

E Eduarda foi a única que me viu veraneável em um mundo que sempre tive que estar forte constantemente. Não foi fácil falar, quis me isolar novamente e deixar tudo no escuro. Cada conversa dolorida em algum aspectos, que tirava meu folego, muitas delas nunca tive coragem de falar nem aqui no blog, e como arvore podada, acabei ficando sem os galhos murchos. 

Tirar todo peso está sendo essencial, porque o levantar sem peso é mais potente que uma luta travada eternamente. E assim zerar a mente, sem precisar sair por ai de cabeça quente para chorar pelas ruas, e não adiantar nada. Treinar ou ocupar a mente 24 hrs diárias, para não ter tempo de descanso, sabendo da pedra nas costas que tinha que carregar diariamente. E por sempre estar em modo defesa, afastei todos que notei no olhar que não eram transparentes. E das vezes que permitir, e minha intuição falou que não devia, me lasquei ainda mais.

Assim, quem seja que tenha vindo a minha procura, não permitir falar. Eu já sabia, que meu grito jamais seria compreendido. Quem iria entender que sempre soube que  algo aconteceria comigo nos 26 anos de idade, e aconteceu. No fundo sempre ouvir minha intuição, ela me fez ver coisas que o mundo nunca revelou, e isso me assusta. Quem vai entender, quando eu afirma: Sabia que aos 25 viria algo, e tentei me matar antes. E fui salva por uma amiga, que sabia o que faria, e foi me buscar lá no núcleo. Quem vai compreender que não me sinto parte dessa realidade, e eu vejo a humanidade, não me pertence. E dai sempre me calei, fiquei no ostracismo e busquei superar tudo sozinha.

Claro, só uma pessoa nessa vida sabe mais de mim que eu mesma.  E poder falar retirar esse peso, e deletar uma parcela que não queria ver, seja essas intuições sobre tudo ou meus traumas. E ai digo, não é só falar, é confiar sem medo. Revelar os monstros com alguém de valor, de coração enorme me faz ter ainda mais carinho e respeito. Com ela não preciso me fazer de forte o tempo todo, e posso ser eu mesma. 

E digo mais, já a conhecia bem demais. Até sei quando ela não tá bem. E me preocupo! Que a missão de vida é tão lindo, mas ela se cansa também.



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