Sobre o Oficio de Historiador.
De repente, veio essa vontade louca de falar, explanar as ideias acaloradas a respeito do acervo, muitos deles, desorganizados como se apenas comportassem papeis de "sorteio de loterias". Para o desespero de qualquer aspirante a arquivista, nota a vastidão de fontes tão dispersas e perdidas. Mesmo com a abrangência das fontes, mediante o uso do escaneamento e salvamento das memórias virtuais, há ainda muito a se fazer.
É muito difícil, quando o pesquisador não tem convívio com as técnicas de busca, o que talvez, venha a adquirir com a pratica diária do trabalho de busca no campo histórico (Arquivo). Sem sombra de dúvida toda ideia leva a um montante de questionamentos, com todo anseio de chegar ao x de uma questão, o historiador precisa interrogar sobre o seu tema de pesquisa e fazer muitas analises comparativas das fontes existente. E muitas são as fontes, algumas delas documentadas, outras orais ou exposta em hagiografia, etc. Por isso, se faz necessário, antes de iniciar a busca nos arquivos, que o historiador demarque um período histórico, e selecione as fontes que poderão prover informações valiosas.
Não sei porque cheguei aqui para falar de meu oficio. Por muito tempo, apesar dos impedimentos que chegaram na minha vida, acabei por obter uma experiencia e habilidade de sentir as ondas historiográfica, e ao mesmo tempo, perceber o tempo presente. As dificuldades me fizeram notar que a teoria abraça a pratica, o que muito chamam de práxis social.
E assim notei a vida do trabalhador, do estudante, daquele que não tem tempo do laser, pois não tem o papai pra bancar os custos acadêmicos. Alguns alunos, acabam desistindo. Aliais, eles precisam comer né. Esses mesmos alunos não têm tempo para aprender as práticas do oficio laboral do historiador arquivista, e quando chegam no grande Memorial de Justiça ou Aquivo Estadual de Pernambuco, sente-se perdidos.
Alguns mestres, muitos deles com títulos celebres, honrarias de uma vida de dedicação. Pessoas deveriam dar exemplo no ensino, na formação de novos pensadores-professores, todavia, eles se enobrecem com seus títulos e fazem poucos daqueles que ainda estão na graduação. Tem mais, se acham superiores, não exercem a humildade, não se compadecem pelo ser que é seu pupilo. Digo isso, porque uma miúda parcela de indivíduos, que tinha consideração de excelentes mestres, agiam com egoismo. Outras vezes, mesmo havendo o titulo de História cultural, desprezava a cultua de outrem. Isso sim, não tem sentindo. Como um professor que da aula de História da cultura pode falar que a religião de matriz africana tem algo de demoníaco? Realmente não da para entender.
Para minha sorte tão, não podendo esquecer, tive grande professores e mestres do oficio de Historiado(a)r. Sendo fundamental na minha formação na paleografia, na análise historiográfica, no estudo das fontes, e na minha concepção de escrita da História. Cada lembrança boa, dicas de manuseio documental do "projeto resgate" e abreviaturas das escritas antigas, poderão me legar a pratica da análise dos documentos antigos. Além da amizade e ajuda de alguns professore(a)s que tiveram muita importância na minha trajetória. Isso sim é louvável, inspirante. Não poderia esquecer disso, pois deve estar presente no meu script de revisão auto-bibliográfica. Experiências boas e também ruins.
A minha primeira ida ao Arquivo foi através da escola, mas não sabia das técnicas de conservação ou como pesquisar dentro da instituição. Depois, já dentro da faculdade, me propus a ir navegar nos acervos do Arquivo Publico Estadual de Pernambuco. Buscava fontes dos periódicos dos jornais de 1870 - 1880. No entanto, a matéria que queria foi extraviada. Antes disso, precisei compra luvas, como se sabe, no passado, os oficiais ou pessoa de valor colocava veneno nas paginas. Então, nada daquela mania de lembe os dedos e depois passar na folha, e assim por diante :)
É bom lembrar, o clima do Brasil não ajuda na conservação do papel, e o cupim também degrada todo e qualquer material que tenha resquício de madeira.
A PARTE DA DIFICULDADE
Antes, é importante agendar a visita, e esperar que a instituição arquivista lhe permita acessa seu acervo documental. Em caso do documento ser de ordem familiar, vai depender do aceite da pessoa física, o que geralmente nega o acesso as documentos. Algumas instituições pedem que o historiador se apresente, como se precisasse mostra uma documento oficial, um tipo de CPF para se identificar. Essa é a burocracia inicial, depois, dependendo do documento, a instituição pode negar o acesso. No meu caso, pesquiso fonte dos relatórios médicos dos idosos nos anos 80, acervo da Santa Casa da Misericórdia. Em contrapartida, não obtive exito no acesso das fontes. Primeiro porque a Sanca casa fundou o projeto em 2011, e os relatórios médicos são de cunho particular, dos próprios pacientes. É compreensível, pois essas dados expõem problemas pessoais, familiares, e não cabe a instituição expor a vida de seus pacientes. Por outro lado, esse entrave revela questões mais profundas, porque a Santa casa foi criada nos anos 70. E é ela que deu muita assistência ao idosos, as pessoas que não tiveram condição de contribuir com a previdência social. E devido a isso, não compreendo o fato de não ter fonte, como se elas tivessem sido evaporadas. Será que ela não se pronunciou no debate sobre a aposentadoria nos anos 80? por outro lado, os médicos geriátricos estavam 100% no debate. Ficou a duvida!
Esse exemplo inúmera as dificuldade que o historiador tem de exercer seu oficio na busca de dados nos acervos da vida.
A ENTRADA NO CAMPO
Primeiro, se faz necessário que o historiador tenha, no minimo, cursado algum curso de paleografia. Esse curso é de grande ajuda no entendimento dos documentos e na sua transcrição.
Deve-se ter um caderno de anotações para preencher com os números das caixas e dos processos. Isso porque no Memorial de Justiça tem uma vastidão de caixas, e dentro delas milhões de processos, separadas por pelos anos. Caso o historiador tenha uma câmera ou material de foto copia, pode retirar a imagem digital do documento, mas as fotos deve ser tiradas sem o flex, pois essa ferramenta acaba com a qualidade do documento.
Dentro do arquivos, as horas correrem, os documentos passam sobre os outros e outros, numa ritimica que prende a total atenção do pesquisado. Esse trabalho de coleta de dados é surpreendente, mágico, principalmente quando é encontrado algum material importante para a pesquisa. Ai vem a recompensa, a descoberta de mais especificidades a cerca do tema da pesquisa, e que cada pedacinho de história constrói a vida, o cotidiano, os sujeitos.
Aquela alegria que ver nas letrinhas miúdas dos periodicos de jornais dos anos 80, mais um dado sobre a previdência social e o governo do ministro Jarbas Passarinho. E o povo? Ele tá ali, reivindicado, pedindo melhorias para o idoso e a aposentadoria. Tantas informações, cada uma mais rica que a outra. E são esses dados que alegram, faz sair sorriso no rosto de uma pessoa que passa horas a fio procurando mais fontes. No final, a produção escrita, a análise, a critica pode ser mais completa e rica.
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