Momento de critica.
Não esperava mais nada, pois já havia me acostumada com as 4 paredes brancas do meu quarto.
Via na borda do café o êxtase de rememorar meus sentimentos mais profundos, muitos deles representados em meus escritos, na minha arte de viver na própria história.
De repente, sem se dar conta, a bagunça do meu quarto se tornou a matéria de uma descontinuidade sem igual, onde não reina os ditames das convenções sociais. E nessa bagunça sou a feiticeira que constrói o relato das mulheres, da luta de ser eu mesma em um país completamente machista e homofóbico.
Por isso, que meu dever é ser pautada pelo agregamento do que ainda não foi contado, esclarecer com amor o que é ser uma mulher historiadora que ama outra mulher.
É pecado? Olha, as convenções sociais sempre vão demonizar o que elas consideram como imoral e desviantes, sacralizando os outros a partir de um normalismo perverso. Por outro lado, justificam que as mulheres devem ser guidas e tutelada por uma figura masculina, como se houvesse um status de menoridade mental para elas. E também justificam a violência, o maus tratos e abusos sociais que acontecem diariamente contra o sexo feminino.
Não somos propriedade privada, muito menos um fantoche para ser usado por algum macho sem escrupuloso ou dignidade humana. Então porque a dita "religião" julga com tanto fervor o fato de uma mulher amar outra mulher, mas deixa em puni um homem que comete feminicídio.
Sinto muito, mas eu não aceito essa sacralização e banalização do sexo. Se a felicidade está na ambrosia do amor, no desejo mais sincero, não vejo o porque da negação dele.
Não tem preço amar e ser amada.
E sei que o que temos vai além desse mudo concreto e apagado, pois onde não há luz, reina o mais belo e puro sentimento.
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