Aedo
Meu semblante ressoa um enigma preso na bussola do tempo, pois ainda vem em minhã memória as palavras dita por você. Em uma sociedade onde tudo some e o dinheiro tem mais valor que os sujeitos, todo amor vira pó e todas paixões luxurias do prazer de ter pessoas em objetos, retirando assim o mais importante delas... suas dignidades.
Um eu te amo tem tantas fases, e muitos limitam essa frase a apenas "o dia dos namorados(a)" que já é coisificação de mercadorias, ficando para obter apenas o simples:Lucro. E assim, sobram a fagulha de poucas migalhas levadas pelo vento ou uma frase dita da bota para fora.
Ora Aedo, deusa justa da memória, jamais regressaste para o presente. Deixou sua marca, fazendo o nobre Ulisses chorar lagrimas de sangue. E da mais justa trama, fez do presente a progressão do passado, que nunca se viu preso em notas de dinheiro. As lagrimas são a verdade e vida, pois o Eu te Amo do Aedo é o justo peso da justiça das almas: O mais puro e verdadeiro amor. E as memórias não são meras lembranças, pois a rainha ainda se viu na espera, confiante de que em Itaca regressaria o amor verdadeiro.
Não há mercadorias que substitua ou signo que faça perdurar a memória viva, mas sempre tem um espelho que tenta absorver imagens de seu amo, eclipsando apenas um momento, e depois, tudo é esquecido ou trocado por outro objeto. A elisão da realidade vai além do individualismo de Calipso ou negação coletiva da alienação. Tudo isso, virão palavras rasas, e a morte do próprio Aedo.
Meu semblante virou a maré aquecida pelo Sol, que reflete toda minha insatisfação. Teu amor é pálido como o sabor da cachaça e forte como as ilusões refletidas no farol de luzes queimadas. Ele rui, sem esperança de regresso, morto a espera de uma ressurreição coisificada em mercadoria.
Mas minha alma é o Aedo da memória justa, meu coração é o relampejo da chuva de verão, meu corpo um reflexo arrebatado em outros tempos outrora de paz, que se perdeu nas ondas do mar do pacífico.
Comentários
Postar um comentário