Apologista
Acá estou, novamente bebendo, sentindo o sabor de cada palavra.
E vem aquela voraz vontade de voar, navegar em cada pagina, desvendar cada interrogação lançada.
Claro, não posso me deixar levar pelos obstáculos aterradores que sempre correm para assolapar as imagens do passado. Imagens que murmuram ao vento, esperando que um anjo venha para arrebata-las.
Esse anjo, creio eu, deve ter se misturado nas nuvens, mas vive na espreita para regressar á terra. E esse espectro angelical está ali parado com um pincel na mão, apontando cada ação humana para depois escreve-las. Esse ser jamais poderá abraçar as sobras da ação factual total do tempo ou da História global.
Acá vivo, apaixonada por essas fileiras de rostos, corpos jogados no tempo. Muitos deles feridos, com seus órgãos expostos para o mundo ver. Porém não há quem possar assistir a história do homem no tempo, seu cotidiano, sua tradição, sua cultura. E esses mudos, vivem na maré do descontinuo, esperando que alguém possa coletar suas pegadas que ficaram na areia da praia. Alias, o sol nasce para todos, não é?
Eu sei, não nego que nasci com o dilema da investigação critica em minhas veias, ao mesmo tempo que cresci com o coração amante das ações, negando o canto das sereias para poder mergulhar nas ilhas de Ulisses.
E se um dia morrer escrevendo, estarei feliz, pois cada palavra minha vai ser sobre a paixão do oficio.
Cada aprendizado, cada ensaio, cada amor para renascer mil vezes mais de forma diferente.
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