MEU REAL VALOR

 Muitas vezes decidi ir para a natureza, livrar-me de qualquer pensamento e observar tudo ao redor.

Não toma-me como tola, se de alguma maneira, trombar comigo e me ver quieta olhando para algum lugar inesperado. Se me ver chorar por algum motivo irreal, e não sentir o aromar das flores do mal presente em uma sociedade tão "mediocre" e vazia de espirito (desconsidere). 

Não pense que poderá me compreender com um aperto de mão leve ou algum tipo de olhar piedoso, pois eu já terei decifrado ou lido seu interior apenas com um único olhar. E não afirmarei: Estou por completo? Cada pessoa carrega seus monstros, e vez ou outra, desconta seus dessabores em terceiros, sem imaginar o resultado final de suas ações. Valores absolutos de egos oceânicos, realidades deturpadas por ideologias de si contra os outros.

Sabe aquelas teses sobre a História que Walter Benjamin tanto falou? Bem aquela sobre o materialismo histórico. Aquela alegoria do anão especialista em xadrez, que ficava escondido debaixo de uma mesa, e sem ninguém ver, movia um boneco no jogo. Quero dizer, na vida não existe uma operação cientifica absoluta. Sempre tem alguém por traz da teoria e práticas sociais. E a cultura já é uma expressão tão presente no campo social. E é ela a emancipação dos sujeitos que falam sem se importar com quem escuta ou ressignificar sua voz.

Digo mais, quando sabemos mais que as pedras da ruas, tornamo-nos alvo direto das mãos opositoras da liberdade. Somos apontados, descriminados, rotulados, esmagados por pensar diferente de uma parcela alienada da sociedade.

E essa liberdade pela arte, é a que grita no coração e transborda como néctar das flores na própria pele. Pela canção que hoje me faz chorar e sorrir ao mesmo tempo, sob um equilíbrio irreal que já vivi quando olhava as estrelas e sentia tudo e ao mesmo tempo nada. Que pela arte que renova, arrebata no fogo de tantos recomeços, mas que nunca se desprende do eu, e sempre insistiu em ficar mais pouquinho. 

E pelo mistério de quem já me observou parada visualizando as pessoas passarem e depredarem todo patrimônio da cidade, pessoas que jogam lixo na rua, tomam suas bebidas e são cruéis com leveza. Cruéis porque apenas olham para si, apontam, negam e fazem mão sem pensar na lei do retorno. 

São cruéis porque a natureza os transformaram em receptáculos de egos, dores, emoções que prendem suas essenciais. Tudo isso eu vejo, sinto o pavor, escrevo as dores e proponho a chamada saída estratégica. 

Quem não fala esconde. Mas, tem quem se chegar querendo além das palavras. A intencionalidade alegorica vem em camuflar as ações. E por isso, meu coração pulsa pela loucura de quem fala e grita, chora e mostrar o anão que habita no seu interior.  E a partir dai, digo meu bem: Ser intensa  na margem da praia é ser eu mesma sem filtros. Ser justa, pela verdade que habita em mim, que não aceita as línguas injustas.





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