Se as águas são transparentes;
Elas não revelam suas profundezas mais obscuras.
Por lá repousa um pouco de mim, esperando por uma correnteza que me leve para qualquer lugar.
É lá que habita tantas fases minhas, versões que cansaram, em algum tempo, buscando respirar na superfície.
Não vivo na superfície onde o ar já está tão poluído, habitada por pessoais vazias e sem nobreza.
Mergulhei na dor; Dores contemporâneas que sufocam a prática dialética dos sentidos humanos. Nada é absorvido nessa superfície onde o mediatismo ganha mais forma que a dignidade humana.
Lágrimas irreais, suspiros alcoilizados de desejo pela tomada do poder dos corpos em noites de Lua eclipsada. Todas essas emoções rotuladas, disfarçadas de uma realidade construída no fio da alienação.
Por isso suspiro nas águas, mergulhando no mais fundo abismo. Escapulindo, ora fugindo dessa maldade da Terra. E é por não suportar mais que seguir, que permitir morrer na arte para viver entre as cores quentes e frias.
E talvez, em algum momento, não queria mais escrever ou chorar na base dessa melancolia. Porque da base da dor brota outros sentidos, outras formas de identificação social, mas jamais permanecem mentiras.
Comentários
Postar um comentário