Um desabafo de inocência

Durante toda a história da humanidade, pessoas negras sofreram injustiças.

As dores sobre a pele, o pesar a respeito de suas identidades tiradas a força brutalmente.

Sofrer por algo não cometido, realmente doí, machuca mais que qualquer corte.


Eu sou uma mulher negra, periférica, sem religião, lésbica, que sofre pressões constantes todos os dias. Todas as injustiças do passado pesam sobre meu corpo e se revelam nas suspeitas diárias. Na afirmativa de provar que chego além, mas com integridade, valores éticos e respeito a minha mediunidade natural.

No entanto, acontecem situações que me fazem chorar, dúvida do mundo, ao ponto de adoecer. As suspeitas,  as injustiças sentem meu cheiro e insistem em abater-me subitamente.

Ser acusada de algo que não fiz doí duas mil vezes mais. Por sentir o peso de toda uma história se abater na minha consciência. Sabe, quando teu intimo grita: Não fiz, não sei como aconteceu, mas não tive culpa. E em seguida, a inocência se passa por vitimismo. Tua verdade é negligenciada,  tirada do jogo e banalizada como algo mentiroso.

Sentir o peso de minhas gerações sendo apontadas como falsas, sem uma verdade interior. Sentir como meus valores fossem jogados na lama. 

Ora, eu falei a verdade! Por céus, minha natureza não aceita mentiras ou apontamentos de maldade contra o que amo. Ter teu coração partido por alguém que  houve nutrição de energias profundas, quase um arrebatamento cósmico.......

Cada toque, palavra doce falada, sorriso soltos....... E senti nervosismo,  medo, minha perna tremia e tremia mais e mais. De minha parte tudo foi real e sincero. Cada sentimento, eu fui junto e cheguei ao limite das minhas emoções.

Sabe quando tudo faz sentido e a alegria parece ser quase um sonho?

Quando se é acusado de algo que não fez por alguém que você nutre carinho, é algo que machuca duas vezes mais. Eu sentir a terra abrir nos meus pés, e o sangue da minha hipoglicemia sucumbindo em segundos. 

E eu amei intensamente. Mas, quando se é acusado de algo de que não fez, e apesar de lutar tanto por justiça, ainda saio como a pior dos seres humanos. Deza que também é Jully ama a flor da pele, mas jamais ousaria mentir e fazer mal a quem tanto quero o bem.

Orei perante as estrelas e o céu, não pelo mal, mas para que tudo seja esclarecido e a verdade venha a tona, como a força da nascente solar.  

Onde estive, não sai do lugar. Estava anestesiada, feliz, por estar ali com uma pessoa maravilhosa. Pensei..... o que farei para tornar essa pessoa ainda mais amada. Dou uma casa? Faço serenata? E ela veio, e mesmo vendo minha vergonha, não queria parar de abraça-la.  E não sai de perto, quis me perder nas conversas, sem esperar por horas ou tempo para me despedir. 

Jurei, prometi, que amaria intensamente. A mulher que estava ali, que estava a amar, e não queria dormir sem pensar no quanto é bom abraça-la. Mas tudo virou pesadelo quando fui acusada de ter feito algo que nunca fiz. E tentei provar minha inocência de todas as formas, não conseguia comer, beber ou dormir. Passei mal, sentir mazelas sobre meu corpo, tudo de ruim, porque nada ali era de fato verdadeiro. Não conseguir sentir a verdade, e ela foi embora com raiva, acreditando que fiz mal. 

Uma maldade que nunca fiz, e que me machucou mais que mil facadas. Doí porque a amo, e mesmo se houve um acidente, esperei um tantinho de confiança. Que apesar de todo meu desespero por provar minha inocência, ela sofria, sentia dor. E nesse desencontro, fica a esperança de um dia haver uma volta e reencontro. 

Esse desabafo, retiro na minha alma, em meio as lagrimas e sofrimento. Que mesmo indo embora, pelo menos podia ser agraciada pela verdade e justiça. Na certeza de que um acidente indesejado não diz sobre quem sou e sinto sobre a natureza e taoismo. Apenas queria a compreensão, o diálogo, porque a confiança em ama-la permanece. E eu sofro, porque, sei que ela sofre, e eu daria minha vida para vê-la bem. Daria tudo que é meu para vê-la feliz. 

Quem sabe um dia ela possa ler esse relato,  e nossas almas intensas venham a se abraçar novamente..

E qui, coloco todo meu coração de poetisa, artista que contempla a paz interior. Que ama incansavelmente, sente com força do fogo,  e que necessita daquele olhar e conversa clara: Realmente sou inocente, e o que sinto é verdadeiro.


 


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