Viver sobre a chuva
O não dito, diz muito sobre uma ação. Se por um lado, Newton diz que toda ação tem uma reação, seja por reflexo ou por movimento. O não dito, a esse critério, é uma anti-ação em progressão continua.
O que vale mais, uma linha reta ou uma curva? As escolhas movem o mundo, ficar inerte ou complacente com as indecisões não gera mudanças profundas. Cada escolha precisa ser pensada e direcionada, seja para bem ou mal, cabe ao individuo optar em esperar pela chuva ou abraça-la com força.
A água nos ensina a fluir sem descanso. Ela não dorme, não tem forma ou cor. Simplesmente se transforma e ocupa o espaço. E é a grande força da natureza que nos faz parecer tão menores e incapazes de viver sem sua permissão. Pois, o domínio sobre a natureza é uma ténue entre querer e não conseguir ter poder. Basta chover para confirmar que somos pequenos em comparação a ela.
A água vem, caindo sobre a face do homem de forma lenta. Levando consigo tudo, renovando seu espirito, esvaindo e limpando seu ego. Um simples não, pode consumi-lo profundamente, desmantelando-o definitivamente. Ele decide se seguira na chuva ou não. Por outro lado, as lágrimas podem sair tão facilmente sem ninguém percebe-las, e é ali na chuva que acontece toda revolução. Os limites são rompidos, as formas são disformes e a pela vira apenas pele.
Viver sobre a forma da chuva é uma das ações que captam uma reação de renovo. Renovo para além das flores do mal, das aspirações alienates dessa contemporaneidade que se preza apenas pelas reações entre dois corpos opostos. E no fim, gera uma contra resposta: Mentiras, falsidades, simbolismos plásticos que apenas se camuflam em aparências felizes narcisistas.

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